No ano de 1981 o mundo virou de ponta-cabeça. Enquanto o Brasil se balançava ao ritmo de Rita Lee que agitava os costumes com seu “lança-perfume”, o atentado do Riocentro desafiava a anunciada disposição do presidente que havia afirmado: “quem for contra a abertura, eu prendo e arrebento”.
Em Belo Horizonte, um jovem executivo cuja formação profissional se iniciara pelo jornalismo, sentia que aquele contexto era propício a um gênero jornalístico que privilegia o enfoque na emoção de um instante – a crônica – e um fato insólito o animou: no seio de um grupo jornalístico conservador, os Diários Associados, havia nascido um semanário com forte timbre satírico, o Jornal de Shopping. De sua colaboração semanal ao novo jornal surgiram as crônicas com as quais Lindolfo Paoliello compôs seu primeiro livro, A Rebelião das Mal-amadas, lançado no final de 1981. A editora não poderia ter sido outra que não a Codecri, responsável pelo “O Pasquim”, o jornal satírico cuja leitura era imperdível pela juventude universitária nas décadas de 70 e 80.
Com a edição de “A Crônica de Lindolfo Paoliello”, confiada ao conhecimento literário e capacidade de avaliação de textos de Letícia Malard, professora emérita de Literatura Brasileira da UFMG, a Editora Del Rey homenageia o marco de 40 anos da obra literária de Lindolfo Paoliello
Letícia Malard é professora emérita da UFMG. Possui licenciatura em Letras Neolatinas e doutorado em Literatura Brasileira, também pela UFMG. É escritora e crítica literária e tem prestado assessoria a órgãos acadêmicos e culturais sobre Literatura Brasileira, Teoria da Literatura, Literatura Comparada e relações entre Literatura e História.
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