Falar dos trezentos anos de Minas Gerais é, na verdade, falar de liberdade.
Os trezentos anos de Minas Gerais representam uma ode à liberdade, afinal. Não apenas a liberdade do povo mineiro, mas a liberdade de todos os brasileiros, que nesses muitos anos se viram positivamente impactados pelo ideário representado nos momentos de nossa história e fundação, nos dizeres de nossa bandeira e nos pensamentos e feitos de nossos grandes homens e mulheres.
O exemplo mais óbvio em nossa trajetória é o de Tiradentes. Os acontecimentos que fizeram eclodir a Inconfidência ressoam até hoje e nos demonstram como o Estado pode ser repressivo, cruel e injusto, massacrando os mais genuínos anseios por liberdade. Um mundo sem mártires seria melhor, sem sombra de dúvida, desde que inexistentes os fatos ensejadores dos martírios. Já que, por infortúnio, não é o caso, nos orgulhemos do herói inconfidente, e de todos os demais que empreenderam aquele esforço, feitos símbolos nacionais da luta do indivíduo pelo que lhe é devido, contra a sanha autoritária dos poderosos de turno.
Tancredo, que também é dos mais importantes signos desta vocação de Minas pela liberdade, cravou o conhecido ditame de que “o primeiro compromisso de Minas é com a liberdade”. Fez deste lema a sua vida e o concretizou em ações definitivas, de maneira a viabilizar a retomada da tão almejada democracia em Minas e no Brasil, novamente com- batendo o autoritarismo, o poder repressivo do Estado e a intransigência.
Diante de legados como estes – e de muitos outros –, o caminho de Minas somente poderia ser o da liberdade. O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade – e todos os outros também. Dever de todos os mineiros, portanto, combater os expansionismos que veem no Estado a concretização de um fim, e não um instrumento a serviço das pessoas – de qualquer pessoa, indistintamente – e da paz social.
Preciso confessar que não é simples a tarefa de governar e, ao mesmo tempo, levantar os estandartes da liberdade. As leis e os decretos servem a limitar o poder do indivíduo – e a cadeira me faz a eles dever execução, sem nem a oportunidade de ter assinado ou discutido a maior parte deles. A tarefa de governar, assim, precisa ser sempre permeada pela cautela, pela parcimônia – mas sem incorrer em omissão, seguindo a advertência de Drummond: “a conquista da liberdade é algo que faz tanta poeira que, por medo da bagunça, preferimos, normalmente, optar pela arrumação”.
São trezentos anos de normas, órgãos, privilégios e costumes, afinal, que geram complexidade – e, com alguma frequência, perplexidade. E, por isso, o esforço precisa ser constante e incessante para que o mineiro viva e possa florescer, com os seus intentos, sonhos e a sua alma empreendedora, em um ambiente mais simples e moderno. Um ambiente com mais liberdade. Na mesma linha da sina enunciada em nossa bandei- ra: ainda que tardia!
Ao mesmo tempo, são trezentos anos de grandes exemplos, de grandes conquistas, de grandes evoluções, sobretudo. Alguns deles estão narrados nesta obra-homenagem a Minas Gerais, trabalhada com tanto esmero pelo Instituto dos Advogados de Minas Gerais. É com enorme satisfação que a inauguro e, pensando na figura do honrado advogado Sobral Pinto, retratada algumas páginas a seguir, saúdo estes profissionais cujo ofício, como o meu, é também o de defender diariamente a propagação da liberdade. Pelos próximos trezentos anos e para sempre.
Parabéns, Minas Gerais. Parabéns, mineiros. Imenso é o orgulho de governar este estado, justamente quando completa os seus trezentos anos. Desafiadora é a tarefa de representar os desejos de tantos. Indescritível é a honra de poder trabalhar para fazer perpetuar esta ode à liberdade, que deve servir a todos.
Meu desejo – e, neste momento, também ofício – é de que o dia de amanhã seja ainda mais livre que o de hoje.
Romeu Zema Neto
Governador do Estado de Minas Gerais
R$ 53,00