Este livro nasce de um julgamento emblemático proferido pela 13ª Câmara do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Nele, por uma apertada maioria de votos, foi negado a um casal o direito de interromper uma gravidez diagnosticada com anomalias severas no feto (trissomia livre dos cromossomos X e 18). O relatório médico apontava que quase 30% dos pacientes com essa condição não sobrevivem ao primeiro mês de vida, e 90% não chegam ao fim do primeiro ano, com uma qualidade de vida extrauterina caracterizada por estado vegetativo e elevado sofrimento.
Diante da profunda repercussão e da complexidade ética e social que permeiam o caso, o autor, com a colaboração espontânea de jovens estudantes do sétimo período da Escola Superior Dom Helder Câmara, resolveu investigar as perspectivas desses futuros juristas.
Esta obra não visa censurar o resultado do julgamento, reconhecendo e respeitando o princípio do colegiado e o trânsito em julgado da decisão. Contudo, no contexto de um estudo científico, ela se abre à crítica, seja construtiva ou desconstrutiva, promovendo um diálogo necessário em uma sociedade fluida e plural. O objetivo é contribuir para a construção de um mundo mais inclusivo, fundado na prevalência do melhor diálogo, em busca de uma humanidade mais democratizada e participativa.
Um dos debates centrais que emergem é a questão da neutralidade do julgador. Embora o juiz seja um produto do meio em que vive e a neutralidade total seja inatingível, este livro argumenta que o esforço para minimizar essa influência, em respeito à autonomia do outro, é fundamental para a consolidação de um verdadeiro Estado Democrático de Direito. Aqui, a laicidade do Estado é um pilar crucial: a fé pessoal do magistrado não deve pautar seus julgamentos, sob pena de se configurar um Judiciário moralista, paternalista e religioso, violando a liberdade religiosa e a Constituição Federal.
Newton Teixeira Carvalho é Pós-Doutor em Investigação e Docência Universitária pelo IUNIR – Instituto Universitário Italiano de Rosário/Argentina. Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ex-Terceiro Vice-Presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ex-Coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Adequados de Solução de Conflitos e Superintendente da Gestão da Inovação do TJMG. Membro do IBDFAM/MG. Professor de Direito de Família e de Processo Civil da Escola Superior Dom Helder Câmara. Coautor de diversos livros e artigos na área de Direito Ambiental, Políticas Autocompositivas, Família e Processual Civil.
R$ 120,00